Pedro Tiago de Orléans e Bragança afirma que foi impedido de entrar no Palácio do Grão-Pará ao se deparar com as fechaduras trocadas
Patrimônio tombado no Centro Histórico de Petrópolis, na Região Serrana do Rio, o Palácio do Grão-Pará virou alvo de discórdia familiar que se tornou caso de polícia e foi parar na Justiça. Pedro Tiago de Orléans e Bragança, de 47 anos, informou que, após retornar de uma atividade física, foi impedido de entrar no palácio, onde afirma morar desde que nasceu. A informação é da Inter TV.
Nas redes sociais, o descendente de Dom Pedro I afirmou que encontrou todas as fechaduras do imóvel trocadas e que ficou sem acesso ao imóvel.
O palácio é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1930 e está registrado em nome da Companhia Imobiliária de Petrópolis, empresa que tem no quadro societário outros descendentes da família imperial, como Pedro Carlos de Bourbon de Orléans e Bragança, que é pai de Pedro Tiago; além dos tios Afonso de Bourbon de Orléans e Bragança e Francisco de Orléans e Bragança.
Sem poder entrar no palácio, Pedro Tiago recorreu à Justiça, alegando que ficou sem acesso a documentos, objetos pessoais e demais pertences que permaneciam na residência, que fica na Rua Epitácio Pessoa, no Centro.
Em nota, a Polícia Militar informou que equipes do 26º BPM chegaram a ser acionadas para atender a uma ocorrência de invasão no endereço, havendo resistência à ordem para deixar o local, sendo necessário o uso de instrumentos de menor potencial ofensivo para conter Pedro Tiago, que é tetraneto de Dom Pedro II, trineto da Princesa Isabel e pentaneto de Dom Pedro I. Pedro Tiago alegou que os agentes utilizaram gás lacrimogêneo durante a ocorrência.
Caso na Justiça – O caso foi analisado pela 2ª Vara Cível de Petrópolis, que concedeu uma liminar garantindo ao príncipe o acesso ao imóvel. A decisão determinou a reintegração imediata da posse e ordenou a desocupação do local por representantes da empresa ou seguranças privados que estivessem no palácio.
A Companhia Imobiliária de Petrópolis, ré na ação, chegou a pedir à Justiça que reconsiderasse a decisão que determinou a reintegração de posse em favor de Pedro Tiago.
A empresa alegou que ele não exerceria posse própria sobre o imóvel, sendo apenas um detentor. Informou que existia um contrato de comodato entre a Companhia e o pai do príncipe, ou seja, de empréstimo do imóvel para uso, e que esse contrato já havia sido rescindido. Além disso, sustentou que o príncipe residiria em outro endereço, no bairro Carangola.
No entanto, no dia 16 de junho, a Justiça indeferiu o pedido, assegurando a permanência de D. Pedro Tiago no Palácio. “Importante salientar que, nas ações possessórias, a proteção jurisdicional recai sobre a posse, independentemente da discussão acerca da propriedade, nos termos do artigo 1.210 do Código Civil e dos artigos 560 e 561 do CPC”, diz o texto.
Nas redes sociais, Pedro Tiago afirmou ainda que, há mais de 15 anos, é o único integrante da família a manter residência permanente no local, exercendo, segundo ele, posse contínua e pública sobre o palácio histórico.
De acordo com a ação, o conflito teria sido motivado por divergências relacionadas à autorização de um evento da Academia Brasileira de Ciências, Artes, História e Literatura no Palácio do Grão-Pará e por uma suposta tentativa de venda do imóvel, avaliado em cerca de R$ 70 milhões.
Procurados pela reportagem da Inter TV, a Companhia Imobiliária e Pedro Tiago não retornaram aos contatos.

