Ausência do líder nas pesquisas dominou o debate da Band, enquanto candidato do PL buscou construir uma imagem independente do grupo político que comandou o Estado nos últimos anos, Garotinho disse que duas candidaturas defendem uma das três organizações criminosas do estado
A ausência de Eduardo Paes (PSD) no debate da Band, realizado neste domingo (9), acabou colocando o ex-prefeito do Rio no centro da disputa pelo Governo do Estado. Mesmo sem estar no estúdio, Paes foi um dos principais alvos dos adversários durante o confronto.
Anthony Garotinho (Republicanos), Douglas Ruas (PL), Willian Síria (Psol) e André Marinho (Novo) aproveitaram os espaços do debate para fazer críticas ao candidato do PSD. A estratégia deixou claro que, mesmo fora dos debates neste momento da pré-campanha, Paes deve continuar ocupando uma posição central na disputa.
A decisão de não participar dos debates antes do início oficial da campanha foi justificada pela campanha de Paes com a necessidade de aguardar o período eleitoral e o registro das candidaturas.
Paes vira alvo mesmo ausente
Com o púlpito reservado ao candidato vazio, os demais concorrentes direcionaram parte dos ataques ao ex-prefeito. A situação acabou transformando a ausência de Paes em um dos principais assuntos do debate.
Líder nas pesquisas divulgadas até agora, o candidato do PSD é visto pelos adversários como o principal nome a ser enfrentado na corrida pelo Palácio Guanabara.
A tendência é que a estratégia de confronto aumente nas próximas semanas, principalmente após o início oficial da campanha, quando os candidatos terão mais espaço para apresentar propostas e atacar diretamente os adversários.
A ausência de conclusão do mandato dos quatro últimos governadores do Rio e a promessa de garantia foi o primeiro questionamento aos participantes. Garotinho, que chegou a ser preso duas vezes, além de ter uma candidatura indeferida, foi o primeiro a responder sobre o tema. O nome do Republicanos defendeu que o Rio vive uma “bagunça” nos últimos 20 anos devido aos governos de Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão e Cláudio Castro. Em sua fala, ele defendeu seu legado à frente do Estado, se colocando como nome para evitar “desastre maior”. Garotinho alfinetou os adversários, sem citar nomes.
“Duas candidaturas defendem uma das três organizações criminosas do estado. O estado tem o tráfico, a milícia e a Alerj: três organizações criminosas infestadas de bandidos. Um é amigo da Lucinha, da milícia. Outro é amigo do Bacellar, do Comando Vermelho. A população me escolheu para colocar essas pessoas na cadeia” atacou Garotinho.
Ruas tenta se descolar de Castro e Bacellar
Outro movimento que chamou atenção durante o debate foi o esforço de Douglas Ruas para construir uma identidade própria na eleição.
Candidato do PL, Ruas possui trajetória política ligada ao grupo que esteve à frente do governo estadual nos últimos anos, especialmente ao ex-governador Cláudio Castro e ao ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar.
Durante a disputa, porém, o candidato tenta evitar que essa associação seja utilizada pelos adversários como instrumento de desgaste eleitoral. A estratégia é apresentar Ruas como uma alternativa dentro do campo conservador, mas com independência em relação aos antigos protagonistas da política estadual.
O movimento ganha importância em uma eleição na qual o eleitorado deve avaliar não apenas as propostas dos candidatos, mas também o legado dos grupos políticos que já comandaram o Estado.
Campanha promete esquentar
O debate da Band serviu como uma espécie de prévia do tom que deve marcar a corrida eleitoral pelo Governo do Rio.
De um lado, Paes aparece como o principal nome a ser enfrentado pelos concorrentes. Do outro, candidatos como Garotinho e Ruas buscam ampliar espaço e se apresentar como alternativas competitivas na disputa.
Com o início oficial da campanha se aproximando, a expectativa é de que os confrontos fiquem ainda mais intensos e que a ausência de Paes nos próximos debates continue sendo explorada pelos adversários.


