Segundo a publicação do jornal Estadão, as aplicações começaram em 2013, durante a gestão da então prefeita Rosinha Garotinho

O jornal Estadão, publicou, nesta sexta-feira (13), uma matéria onde afirma que a Prefeitura de Campos investiu R$ 500 milhões da previdência dos funcionários públicos do município em fundos de investimento investigados por fraude, com pendências de auditoria ou baixa liquidez. Segundo a publicação, as aplicações começaram em 2013, durante a gestão da então prefeita Rosinha Garotinho.

Passados mais de dez anos, o Instituto de Previdência de Campos dos Goytacazes (PreviCampos), segundo o Estadão, segue com os ativos problemáticos na carteira e corre até risco de falência, de acordo com o mais recente relatório financeiro anual obrigatório do fundo, conhecido como “relatório atuarial”. Publicado em 2025, o relatório apontou que a previdência de Campos precisaria de mais R$ 5 bilhões para cumprir os pagamentos prometidos no futuro aos beneficiários. A projeção é de que, se nada for feito, as contas entrem em colapso em 2029, com o esgotamento dos recursos para pagamentos. O patrimônio total do fundo hoje é de cerca de R$ 1,2 bilhão. Por conta dessa situação, a discussão sobre os investimentos feitos na última década voltou à tona.

O dinheiro enviado pelo PreviCampos a 15 fundos de investimento considerados problemáticos desaguou uma série de empresas também com problemas, como o inacabado hotel Golden Tulip, em Belo Horizonte, em nome de Henrique Vorcaro, o pai de Daniel Vorcaro — o dono do Banco Master, investigado por fraudes bilionárias e preso pela Polícia Federal. Procuradas, a defesa de Daniel Vorcaro optou por não comentar o caso e a defesa de Henrique Vorcaro não respondeu aos questionamentos até a publicação deste texto.

Outro destino desses recursos foi o Trump Hotel, no Rio, empreendimento anunciado em 2013 ligado a Donald Trump, atual presidente dos EUA, cujo capital para construção foi desviado. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), instituição que fiscaliza os fundos de investimento, multou os envolvidos em mais de R$ 100 milhões. Entre eles, o economista Paulo Figueiredo, neto do ex-presidente João Figueiredo. Procurado, ele afirmou não ter participado da captação de recursos para o hotel e que nem sequer sabe dos valores envolvidos (leia mais abaixo).

Os investimentos do PreviCampos nesses fundos hoje representam 36,75% do patrimônio disponível para pagar os beneficiários. No passado, essa fatia chegou a 82,68% (ver tabela abaixo). O atual responsável pela previdência é o prefeito Wladimir Garotinho, filho de Rosinha Garotinho. Procurado, ele não respondeu aos questionamentos da reportagem do Estadão.

Rosinha Garotinho, prefeita na época do início das aplicações, afirmou não ter participado da decisão sobre os aportes. “Quem pode lhe informar é o presidente do PreviCampos e o presidente do Conselho (na época). Essa questão de investimento nunca passou por mim. O que sei é isso”, disse a ex-prefeita.

O Estadão tentou contato com o ex-presidente do PreviCampos e com o ex-diretor do Conselho, Nelson Afonso e Jorge William, mas não obteve resposta.

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