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Home»Destaques»Uenf: Nova variedade de maracujá é esperança para retomada da produção na região
Destaques

Uenf: Nova variedade de maracujá é esperança para retomada da produção na região

outubro 29, 2025 Destaques
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Após 14 anos de pesquisas, cientistas desenvolvem opção do fruto resistente ao vírus que dizimou plantações na década de 2000

Dos laboratórios da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), surge uma esperança para a retomada da produtividade do maracujá no Norte e Noroeste Fluminense. Após 14 anos de pesquisas, a primeira variedade do fruto resistente ao vírus Cowpea aphid-borne mosaic virus (CABMV) — que desde os anos 2000 vêm dizimando as lavouras na região — está prestes a ser registrada no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

A nova variedade foi obtida após vários ciclos de seleção genética, a partir do trabalho de doutorandos, mestrandos e bolsistas de Iniciação Científica, sob orientação do professor Alexandre Pio Viana, do Laboratório de Melhoramento Genético Vegetal do Centro de Ciências e Tecnologias Agropecuárias da UENF (LMGV/CCTA), com apoio financeiro da Faperj.

“Já abrimos o processo no Mapa e iniciamos o experimento chamado Ensaio de Valor de Cultivo e Uso (EVCU), que é exigido para que possamos registrar a nova variedade. Até o início do próximo ano devemos terminar o experimento e, logo em seguida, vamos notificar o Mapa. Acredito que em seis ou, no máximo, dez meses, o Ministério já terá autorizado o registro” diz o professor.

Vírus que ataca maracujazeiros é transmitido por ‘pulgões’

A virose do endurecimento dos frutos é a doença viral mais importante do maracujazeiro-azedo. Ela é causada pelo vírus Cowpea aphidborne mosaic virus (CABMV), pertencente a um dos principais gêneros que infectam plantas. O vírus é transmitido por diversas espécies de afídeos (Hemiptera: Aphididae) — popularmente conhecidos como “pulgões” — durante picadas de prova.

Viana explica que os pulgões costumam picar as plantas para ingerir a seiva, onde se encontram os açúcares. Eles provam da seiva de várias plantas, mas só se fixam naquelas que eles gostam. As picadas de prova são as várias tentativas que esses insetos fazem até encontrar a seiva adequada.

“A transmissão do vírus acaba sendo mais agressiva no caso do maracujazeiro-azedo porque o afídio não gosta de sua seiva. Então ele vai picando várias plantas sem se fixar em nenhuma delas. E, com isso, vai disseminando rapidamente o vírus” explica.

Queda drástica na produção ocorreu entre 2000 e 2007

Com o advento do Programa Frutificar, no início dos anos 2000, o Norte Fluminense chegou a ter mais de 2 mil hectares de maracujá, mas depois que a virose chegou à região, a produção reduziu drasticamente. De um total de 15,7 mil toneladas em 2000, a produção caiu para 3,2 toneladas em 2007. Hoje, o cultivo abrange menos de 100 hectares, basicamente no município de São Francisco de Itabapoana, no Norte Fluminense.

Segundo Eileen, o professor Alexandre apresentou a situação e a incentivou a buscar alternativas. Ela conta que, por já ter experiência com espécies silvestres de Passiflora, sabia que algumas delas eram naturalmente resistentes ao vírus e compatíveis com o maracujazeiro-azedo.

Assim, foram iniciados os cruzamentos interespecíficos entre P. edulis (espécie comercial) e Passiflora setacea (espécie silvestre resistente), com o objetivo de desenvolver uma população segregante com resistência ao CABMV.

“Essa população foi avaliada quanto a características morfoagronômicas e de resistência, permitindo a seleção de plantas promissoras para futuras recombinações e continuidade do programa. O objetivo era estabelecer uma população base resistente ao vírus, que pudesse dar origem, no futuro, a uma variedade resistente” explica.

Eileen diz que se sente extremamente gratificada ao saber que o programa de melhoramento seguiu avançando e alcançou seu objetivo, com a obtenção de uma variedade resistente ao vírus.

“Todo melhorista sonha em ver o resultado de suas pesquisas se transformar em uma cultivar registrada e disponível aos produtores, capaz de reduzir perdas e aumentar a produtividade. e promover o desenvolvimento do setor” afirma.

Segundo a pesquisadora, mais do que um resultado científico, esse avanço representa o propósito do trabalho dos melhoristas: oferecer soluções práticas e sustentáveis para a agricultura.

“Fazer parte dessa história, desde as primeiras etapas até o alcance desse resultado, me enche de orgulho e reforça o propósito de continuar trabalhando pela inovação e sustentabilidade no melhoramento de fruteiras tropicais. O trabalho reflete o compromisso da universidade em gerar conhecimento científico aplicado, capaz de impulsionar a agricultura sustentável e fortalecer a fruticultura nacional” conclui.

*Com informações da Ascom Uenf

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