Complexo portuário amplia operações, mas acessos terrestres ainda são apontados como um dos principais desafios para o transporte de cargas no Norte Fluminense
O crescimento das operações do Porto do Açu, em São João da Barra, coloca em evidência um problema que há anos preocupa empresas e transportadores da região: a necessidade de ampliar e melhorar os acessos rodoviários ao complexo portuário.
Com o aumento do fluxo de cargas, as condições das estradas passaram a ser consideradas um dos principais gargalos para a logística do Norte Fluminense. A situação também afeta diretamente o custo e o tempo das viagens realizadas por caminhões que chegam ou saem do porto.
Estradas precisam acompanhar expansão do porto
Um dos pontos de atenção está na RJ-238, conhecida como Estrada dos Ceramistas, ligação estratégica entre a BR-101 e a BR-356. A rodovia é utilizada como rota para o transporte de cargas em direção à região do Porto do Açu.
Dados apresentados em reportagem sobre a infraestrutura do Norte Fluminense mostram que a estrada ainda enfrenta problemas de conservação e que intervenções necessárias não avançaram no ritmo esperado. O cenário aumenta a preocupação diante da expansão das atividades portuárias.
O Governo do Estado mantém um projeto de melhoria dos acessos ao Porto do Açu, incluindo intervenções na RJ-238. Segundo o sistema oficial de acompanhamento de projetos, a iniciativa tem investimento previsto de aproximadamente R$ 98,5 milhões e permanece em execução.
Acesso direto é uma das principais reivindicações
Outro projeto considerado estratégico é a criação de uma ligação rodoviária direta entre a Estrada dos Ceramistas e o complexo portuário. A proposta prevê aproximadamente 21 quilômetros de extensão e poderia reduzir a dependência do atual acesso pela BR-356.
A melhoria da conexão é vista como importante para evitar que o aumento da movimentação de caminhões pressione ainda mais as rodovias existentes.
Além das obras estaduais, documentos oficiais também registram intervenções previstas nas rodovias municipais SB-24 e SB-32, que fazem parte dos acessos ao complexo portuário. O projeto contempla cerca de 10,4 quilômetros de restauração.
Movimento de cargas aumenta pressão sobre infraestrutura
O Porto do Açu movimentou 89 milhões de toneladas em 2025, segundo dados divulgados em reportagem sobre os gargalos de infraestrutura da região. No mesmo ano, o complexo registrou a circulação de quase 155 mil caminhões.
O volume mostra a dimensão do desafio: enquanto o porto amplia sua capacidade e atrai novos negócios, a infraestrutura terrestre precisa acompanhar esse crescimento para evitar atrasos, aumento de custos e dificuldades no escoamento da produção.
Como parte da resposta logística, o Porto do Açu anunciou em 2026 a implantação de um condomínio logístico e de um Truck Center em parceria com a BMJ Par. Os empreendimentos somam 300 mil metros quadrados e têm investimentos estimados em R$ 250 milhões, com o objetivo de ampliar a estrutura de apoio às operações e aos caminhões.
BR-101 também é peça importante
A BR-101 é outra via fundamental para a logística regional. A rodovia conecta o Norte Fluminense a importantes mercados consumidores e áreas industriais e serve como ligação estratégica para as atividades relacionadas ao petróleo, gás e ao Porto do Açu.
A ANTT anunciou investimentos de cerca de R$ 6 bilhões na BR-101/RJ, incluindo intervenções em diferentes trechos e melhorias voltadas à fluidez do tráfego. No Norte Fluminense, Campos e Macaé estão entre os municípios contemplados pelas ações.
Ferrovia também aparece como solução
Além das rodovias, o setor produtivo defende a ampliação das alternativas ferroviárias. A implantação da EF-118, ligando o Rio de Janeiro ao Espírito Santo, é apontada pela Firjan como uma obra estratégica para melhorar a logística do Norte Fluminense e reduzir a dependência do transporte exclusivamente rodoviário.
A avaliação é que o crescimento do Porto do Açu exige uma rede de transporte capaz de acompanhar a expansão dos terminais e das empresas instaladas no complexo.
Desafio para os próximos anos
O cenário coloca infraestrutura e logística no centro das discussões sobre o futuro econômico do Norte Fluminense. Com o Porto do Açu ampliando sua participação no transporte de cargas, a melhoria das estradas, dos acessos e das conexões ferroviárias passa a ser fundamental para garantir que o crescimento do complexo não seja limitado pela capacidade da malha terrestre.
A cobrança por obras, portanto, não envolve apenas mobilidade. Está diretamente ligada à competitividade do porto, à atração de novos investimentos e ao desenvolvimento econômico de toda a região.


