Entre os produtos previstos estão metanol verde, amônia verde, combustível sustentável de aviação (SAF) e biometano
O Porto do Açu, em São João da Barra, no Norte Fluminense, está estruturando uma nova frente de negócios voltada à produção e movimentação de combustíveis sustentáveis. A estratégia faz parte do projeto de transformação do complexo em um polo de transição energética, reunindo diferentes iniciativas relacionadas ao hidrogênio de baixo carbono e seus derivados.
Entre os produtos previstos estão metanol verde, amônia verde, combustível sustentável de aviação (SAF) e biometano. A proposta é criar uma cadeia integrada dentro do próprio complexo, aproximando produção, armazenamento e logística para atender principalmente setores que enfrentam dificuldades para reduzir suas emissões.
Terminal de combustíveis está no planejamento
A administração do Porto do Açu prevê ampliar a estrutura existente para receber e movimentar combustíveis de baixo carbono. O projeto está incluído no planejamento de investimentos com horizonte até 2030, embora as estruturas ainda dependam das etapas de licenciamento e desenvolvimento dos empreendimentos.
A iniciativa acompanha o crescimento do mercado de combustíveis alternativos para segmentos como transporte marítimo, aviação e indústria química.
Hidrogênio como base da estratégia
O hub de baixo carbono do Açu foi planejado para utilizar hidrogênio produzido a partir de fontes de energia renovável e outras soluções de menor intensidade de carbono.
Um dos produtos que já possui área reservada para desenvolvimento no complexo é o e-metanol, que pode ser produzido utilizando hidrogênio de baixo carbono e dióxido de carbono reciclado. Em 2024, o Porto do Açu e a HIF Global firmaram acordo para reservar uma área destinada à futura instalação de uma planta desse combustível.
Documentos do próprio Porto do Açu apontam uma capacidade projetada de até 315 mil toneladas de e-metanol por ano, além de aproximadamente 604 mil toneladas anuais de hidrogênio de baixo carbono e 1,9 milhão de toneladas de amônia. Esses números representam o potencial projetado para o desenvolvimento do hub, e não produção atualmente em operação.
Combustível para navios
Uma das aplicações previstas para esses novos combustíveis está no setor marítimo. O metanol de baixo carbono, por exemplo, pode ser utilizado como alternativa aos combustíveis fósseis tradicionais em embarcações.
O projeto também acompanha experiências já realizadas no próprio complexo para reduzir as emissões da operação portuária, incluindo testes com etanol em embarcações menores e iniciativas relacionadas à eletrificação de estruturas portuárias.
Açu busca ampliar papel na transição energética
A estratégia coloca o Porto do Açu além da função tradicional de movimentação de cargas. A intenção é aproveitar a infraestrutura portuária, a disponibilidade de energia e a localização estratégica do complexo para atrair investimentos ligados à chamada economia de baixo carbono.
O planejamento inclui ainda projetos envolvendo hidrogênio renovável, amônia verde, e-combustíveis e combustíveis sustentáveis para aviação.
Para o Norte Fluminense, a expansão desse segmento pode representar a chegada de novos investimentos industriais e a criação de uma cadeia de fornecedores associada às tecnologias de transição energética. A dimensão desses impactos, porém, dependerá da implantação efetiva dos projetos e dos investimentos que forem confirmados nas próximas etapas.


